Os prejuízos causados pela tripanossomíase bovina

A infecção é problema emergente no Brasil

Dra. Daniela Miyasaka S. Cassol, Médica Veterinária

Gerente Técnica Saúde Animal / PDI

Noxon Saúde Animal, Cravinhos-SP

Trypanosoma vivax

A Tripanossomíase bovina é uma infecção causada pelo hemoprotozoário Trypanosoma vivax e ocorre com frequência cada vez maior em rebanhos bovinos, gerando grandes prejuízos principalmente à pecuária leiteira.

O T. vivax é responsável por causar perdas econômicas na bovinocultura da África, Ásia e Américas Central e do Sul. Na América do Sul, ele é responsável por infertilidades e mortes em ruminantes. Já foram descritos surtos na região Amazônica, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Tocantins, Paraíba, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Pernambuco, Alagoas, entre outros.

Estima-se que o custo desta doença é de aproximadamente US$ 14,65 por animal ou 4% do valor estimado do rebanho e, sem o tratamento, esta porcentagem se eleva a 17%. Em rebanhos leiteiros, a queda na produção pode chegar a 41,6% (COSTA et al., 2013).

O diagnóstico da tripanossomíase por T. vivax em bovinos não é fácil, pois o parasito causa sinais clínicos pouco específicos como febre, perda de apetite, perda de peso, diminuição da produção leiteira, abortos e sinais neurológicos (BATISTA et al., 2007; CADIOLI et al., 2012) e muitas vezes é confundido com outras doenças causadas por hematozoários, como Babesia sp e Anaplasma sp. Essa dificuldade no diagnóstico contribui na difusão da doença.

Nas Américas a transmissão é realizada mecanicamente pelos tabanídeos (mutucas) e Stomoxys calcitrans (mosca-dos-estábulos) ou de forma iatrogênica por fômites, ou seja, objetos ou substâncias que transportam o hemoprotozoário. Seringas e agulhas contaminadas com sangue utilizados na aplicação de ocitocina, vacinas ou medicações podem auxiliar na propagação do Trypanosoma vivax no rebanho.

Existem três formas de infecção do T. vivax em bovinos: aguda (resulta em morte dentro de poucas semanas após o contágio (GARDINER et al., 1989); a subaguda, na qual os animais apresentam febre, letargia, fraqueza, anemia e leve queda na condição física, morrendo após cinco semanas (LOSOS e IKEDE, 1972); e a forma crônica, caracterizada por anemia e emaciação progressiva (UNSWORTH e BIRKETT, 1952) associadas à baixa parasitemia (GARDINER et al., 1989).

O diagnóstico do parasitismo pode ser realizado pelos métodos parasitológicos, sorológicos ou moleculares. O parasitológico é o mais utilizado no Brasil, com destaque para os esfregaços sanguíneos corados (SILVA et al., 2002). Outra técnica empregada é a concentração em tubo de microhematócrito ou MHCT (WOO, 1970). Porém as técnicas parasitológicas podem apresentar pouca sensibilidade em condições de baixa parasitemia (WAAL, 2012). Já os métodos sorológicos como a Reação de Imunofluorescência Indireta e o Ensaio de Imunoabsorção Enzimático (SILVA et al., 2002), detectam a presença de anticorpos anti-T. vivax no soro do animal suspeito, porém não há como afirmar se a infecção está ativa. Além do mais, essas provas podem não detectar a infecção nos primeiros dias da infecção, favorecendo a dispersão (CADIOLI et al., 2015). Os métodos moleculares, como Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), PCR em tempo real ou qPCR e a amplificação circular isotérmica do DNA ou LAMP, apresentam sensibilidade superior aos métodos anteriormente citados e são utilizados como diagnóstico definitivo da presença do T. vivax.

Para o tratamento desta doença são indicados o Cloridrato de Isometamidium e o Diaceturato de Diminazeno, este último encontrado no produto Piroseg, da Noxon Saúde Animal.

É muito importante controlar os vetores como a mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans) por meio da adoção do manejo adequado da matéria orgânica. Para o controle físico dessa mosca, deve-se fazer a limpeza do ambiente, adotar o manejo de esterqueiras e não deixar resíduos de alimentos. O controle químico pode ser feito com aplicação de inseticidas após a limpeza dos currais e comedouros.

“Boas práticas de produção” (tais como alimentação adequada, conforto térmico, entre outros, com o intuito de assegurar o bem-estar dos animais e imunidade dos mesmos), “Quarentena” (na aquisição de novos animais) e “Boas Práticas de Aplicação de Produtos de Uso Veterinário” como utilização de agulhas descartáveis são medidas fundamentais a serem adotadas.

 

Importante: consulte sempre o Médico Veterinário e siga corretamente as orientações descritas nas bulas dos produtos.

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