BENEFÍCIOS DA SUPLEMENTAÇÃO INJETÁVEL EM BOVINOS

Dra. Daniela Miyasaka S. Cassol, M.V.Gerente Técnica, PDI – Noxon Saúde Animal

O período de transição em vacas leiteiras, que ocorre entre as três últimas semanas de gestação e as três primeiras de lactação (GRUMMER, 1995), é muito crítico para os animais de alta produção devido ao balanço energético negativo (BEN), que afeta a manutenção, produção e reprodução do rebanho (SCHEIA et al., 2005).

Nessa fase, a ingestão de nutrientes geralmente não é suficiente para fornecer as demandas energéticas. No final da gestação a necessidade nutricional diária aumenta em 30% e no início da lactação, em 75%. Este déficit energético pode ocorrer durante 10 a 12 semanas. Com isso as rotas catabólicas são acionadas para suprir o desequilíbrio energético, aumentando os riscos de ocorrência das doenças metabólicas (MANDEBVU et al., 2003).

Estas alterações afetam a saúde e o desempenho produtivo das vacas. Tais mudanças ocorrem no fígado, gordura e massa muscular, além de influenciarem as secreções e ações de muitos hormônios, envolvidos no parto e lactação.

O período pós-parto também é apontado pelo alto risco de ocorrência das doenças metabólicas, influenciadas direta e indiretamente pelas mudanças no metabolismo do pré-parto (GROHN et al., 1989).

Entre as doenças diretamente ligadas, estão a lipidose hepática, a cetose e a hipocalcemia. E indiretamente a mastite clínica, metrite, deslocamento do abomaso e distúrbios do trato digestório (INGVARTSEN, 2006; MULLIGAN et al., 2006).

Na tentativa de compensar o BEN do período as reservas corporais são mobilizadas, reduzindo a condição corporal e elevando os níveis sanguíneos de ácidos graxos não-esterificados (NEFA). Em excesso, o NEFA excede a capacidade hepática de β-oxidação resultando na formação de corpos cetônicos (CC), os quais são representados pelo β-hidroxibutirato (BHBA), acetoacetato e acetona (CHURCH, 1993; DRACKLEY et al., 2001). Estes compostos, quando em níveis elevados na circulação, causam transtornos metabólicos e distúrbios cerebrais (FLEMING, 1993; GONZALEZ & CAMPOS, 2003; GULAY et al., 2004), além de prejudicarem a eficiência reprodutiva por coincidirem com o período em que deve ocorrer o retorno à ciclicidade, e consequentemente aumentando o intervalo parto-concepção (BAUMAN et al., 1993).

Altos níveis de CC nos fluidos corporais caracterizam a cetose, distúrbio metabólico que pode se apresentar na forma subclínica (prevalência acima de 34,0%), sem manifestações clínicas da doença (MILLS et al., 1986; DUFFIELD et al., 1997), ou na forma clínica (1,5 a 2,0%), observando-se odor cetônico na respiração, no leite e na urina, perda de apetite, baixa produção e perda de condição corporal (FLEMING, 1993; RADOSTITS et al., 2000; INGVARTSEN, 2006). Esta doença acomete também ovinos, sendo conhecida como toxemia da prenhez ou mal da gestação, geralmente associada à gestações gemelares. É diagnosticada por dosagens sanguíneas de glicose e NEFA, e pela detecção de CC no leite e sangue (GONZÁLEZ & CAMPOS, 2003).

Todos estes distúrbios metabólicos causados pelo BEN geram graves prejuízos produtivos e econômicos à pecuária, por isso é importante a adoção de uma dieta adequada e utilização de substâncias que auxiliem na obtenção de energia (GRUMMER, 1993; LÓPEZ et al., 2004).

O fígado exerce múltiplas e importantes funções nos processos fisiológicos, desempenhando importante papel na formação de compostos e desintoxicação do organismo (BACILA, 2003). Assim, os níveis séricos das enzimas aspartato aminotransferase (AST) e gama-glutamiltransferase (GGT), acabam sendo importantes indicativos da intensidade da atividade hepática e dos graus de lesão tecidual do fígado (RICO et al., 1977).

As exigências de minerais dependem de alguns fatores ambientais e da taxa de crescimento, raça, idade, produtividade, sexo, alimentação, entre outros. Pequenas deficiências podem gerar grandes prejuízos, pois de maneira não aparente afetam o metabolismo animal, diminuindo os índices produtivos e reprodutivos.

O fósforo desempenha um papel importante, pois está envolvido no crescimento e diferenciação celular, na composição dos ácidos nucléicos (DNA e RNA) e hormônios; é integrante de muitos intermediários do metabolismo energético (ATP, ADP), participando de importantes vias metabólicas de utilização e transferência de energia e da mineralização da matriz óssea (GONZÁLEZ & SILVA, 2006). Associa-se ainda a lipídeos para a formação das membranas plasmáticas (MALLETTE et al., 1960), manutenção do equilíbrio ácido-básico e osmótico (ação tampão), e na eficiência reprodutiva (COZZOLINO, 2007). Nos ruminantes é essencial, pois atende também às exigências da microbiota ruminal (TERNOUTH & SEVILLA, 1990).

Fontes alternativas de fósforo podem ser administradas por via oral, por meio de compostos minerais na alimentação e pela via injetável, como é o caso do Butafosfan, uma substância importante no ciclo ADP/ATP, que auxilia na síntese energética celular. É um derivado orgânico do ácido fosfórico, responsável pelo fornecimento de íons fosfato (Pi), essenciais para a catálise de várias reações celulares. Assim, a oferta de Pi, garantida pelo Butafosfan, estimula o metabolismo gliconeogênico e mantém a integridade do tecido e o correto funcionamento hepático (HUBER, 2003; CUTERI, 2008).

O Butafosfan também auxilia na redução das reações metabólicas de estresse, diminuindo os níveis de cortisol e elevando os de insulina, hormônio que melhora a entrada de glicose na célula, melhorando seu funcionamento; é também responsável pelo armazenamento de energia nas formas de glicogênio, triglicerídeos e proteínas (CUTERI, 2007; DENIZ, 2008). Geralmente encontra-se associado à vitamina B12 (Cianocobalamina), a qual possui papel fundamental como co-fator enzimático, principalmente da enzima metilmalonil-CoA mutase, que age diretamente no metabolismo energético e desempenha função na conversão de ácidos graxos voláteis em succinil-CoA, um essencial passo para a entrada destes no ciclo de Krebs e a sua utilização como um substrato gliconeogênico (KENNEDY, 1990). Assim, esta última enzima mitocondrial é muito solicitada em vacas leiteiras de alta produção, devido as necessidades de energia para garantir a lactogênese (GRAULET et al., 2007).

Animais com deficiência de fósforo apresentam os mais variados sinais clínicos, como diminuição no apetite, queda no ganho de peso e na produção leiteira, diminuição na fertilidade de fêmeas, caracterizada por prolongadas aciclias, osteopenia e menor resistência óssea, com predisposição ao aparecimento de fraturas (costelas e vértebras) e alteração no comportamento, com aparecimento de aberrações no apetite, como osteofagia e necrofagia (SPINOSA et al., 2011).

A Vitamina B12 (Cianocobalamina) tem papel essencial na transferência de grupos metil na síntese da metionina e colina, e para a produção de purinas e pirimidinas, além de ser necessária para a incorporação da serina, metionina e fenilalanina nas proteínas e, assim como a coenzima adenosilcobalamina para a mutase ou a metilmalonil-CoA isomerase, é necessária para a conversão do propionato a succinil-CoA (ADAMS, 2003). A deficiência dessa vitamina pode causar anemia, fraqueza muscular, perda de peso, apatia, alterações nervosas, parestesia de extremidades, entre outros.

O Cobalto (Co) é requerido pelos microrganismos do rúmen para a síntese da Vitamina B12 e também para o funcionamento de vários sistemas enzimáticos na utilização de energia. A deficiência de Cobalto, pela sua gravidade e frequência com que ocorre, é uma das mais importantes para bovinos sob condição de pastagem, em áreas específicas. Ela é caracterizada pela falta de apetite, perda progressiva de peso, pelos arrepiados, pele grossa, anemia e às vezes morte. O suprimento adequado de cobalto aos bovinos deficientes produz rápida redução e desaparecimento dos sinais. Em geral o cobre e o cobalto são os dois microelementos que mais frequentemente estão envolvidos nos estados carenciais nos bovinos, sendo determinantes ao aparecimento de quadros clínicos patológicos relativamente característicos (TOKARNIA et al., 2000).

A taxa de ocorrência do BEN e a frequência de casos clínicos aumentou muito nos últimos anos devido ao crescimento do potencial de lactação da vaca leiteira contemporânea.


A fim de amenizar o BEN, uma alternativa interessante é a utilização de suplementos energéticos1 injetáveis. A oferta de fósforo garantida pelo Butafosfan, melhora a regeneração de sistemas intracelulares geradores de energia e estimula o metabolismo gliconeogênico, reduz as reações metabólicas de estresse, diminuindo os níveis de hidrocortisona e elevando as concentrações de insulina, hormônio que melhora a entrada de glicose na célula, melhorando seu funcionamento. A única associação injetável à base de Butafosfan, Vitamina B12 e Cobalto1 estimula os processos metabólicos e supre as deficiências (estados carenciais) dos componentes da formulação.

É benéfica ao metabolismo animal, pois aumenta a ingestão de matéria seca, reduz o BEN, com consequente diminuição dos corpos cetônicos, aumento da produção leiteira, entre outros benefícios. No pós-parto de vacas leiteiras pode ser utilizado também em Protocolos associados com formulações à base de cálcio, tais como: Gluconato de Cálcio + Glicerofosfato de Cálcio + Cloreto de Magnésio + Dextrose + D-Sacarato de Cálcio2, uma formulação para os casos de deficiências, com o poder energético da Dextrose.

Lembre-se: é muito importante o correto diagnóstico, seguir a orientação do Médico Veterinário e informações presentes nas bulas dos produtos.

1Catol+, 2Super Cálcio Reforçado: Noxon Saúde Animal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *