HABRONEMOSE EQUINA, Ferida de verão ou “esponja”

Rodrigo Garcia Motta, M.V., D.Sc.

Analista Técnico, NOXON SAÚDE ANIMAL

habronemose equina é uma enfermidade parasitária que acomete os equídeos (equinos, muares e asininos) com quadro clínico múltiplo. A forma cutânea, popularmente reconhecida como ferida de verão ou “esponja”, é veiculada por moscas, por isso, atribui-se maior prevalência desta doença nos meses mais quentes e chuvosos do ano.

Na pele e mucosas, podem ser identificados quadros inflamatórios graves com hipersensibilidade (alergia) contra as larvas do parasito presentes no local. Essa irritação contínua evolui para a formação do tecido de granulação exuberante, dando à lesão o aspecto esponjoso (“carne viva”). Estas feridas são comumente identificadas no pênis, prepúcio, face, olhos e partes distais dos membros. A doença apresenta-se sobre variadas formas clínicas a destacar: cutâneaconjuntival ou mucosagástricapulmonar e assintomática.

É uma enfermidade que tem ciclo indireto, pois o parasito se utiliza de insetos vetores, como a mosca doméstica (Musca domestica) e a mosca-dos-estábulos (Stomoxys calcitrans), para mudar de estágio e ter acesso facilitado aos hospedeiros. Assim as larvas (L-1) e ovos do Habronema spp. são eliminados pelas fezes dos cavalos que apresentam o verme no estômago.

As moscas vetoras desta doença também depositam seus ovos sobre a matéria orgânica. Assim ao eclodir, as larvas de moscas alimentam-se e ingerem as larvas (L-1) do parasita intestinal presentes nas fezes. Em conjunto, ocorre o desenvolvimento da mosca e do parasito, e em duas semanas poderão ser identificadas as larvas (L-3) infectantes do Habronema sp e moscas adultas.

As moscas, para se alimentarem, pousam em feridas abertas e nas junções muco-cutâneas. Neste momento, ocorre a deposição das larvas (L3) e o estabelecimento da habronemose cutânea. Essas ainda podem ser deslocadas para as regiões próximas a cavidade oral ou mesmo a própria mosca pode ser deglutida. Após dois meses, finaliza-se o ciclo biológico com a identificação do parasita adulto no estômago dos cavalos (habronemose gástrica) e inicia-se um novo ciclo de eliminação dos ovos nas fezes.

Em casos pontuais de infecções por grande número de larvas, poderá ocorrer a migração errática do parasito e o estabelecimento habronemose pulmonar. É fundamental que os treinadores e proprietários dos cavalos saibam reconhecer rapidamente os primeiros sinais desta doença para que se estabeleça a imediata intervenção terapêutica.

Os sinais mais comuns dessa doença remetem à presença de lesões múltiplas distribuídas no animal, que pioram a serem “coçadas”. As feridas se instalam nos cavalos à medida em que as moscas depositam as larvas em lesões pré-existentes ou regiões muco-cutânea, na presença de soluções de continuidade. Por fim, a habronemose equina se caracteriza por: ferimentos que podem sangrar com facilidade; feridas ulceradas, que se assemelham a neoplasias cutâneas (câncer); lesões que lembram uma esponja, com prurido (coceira) variável e a presença de exsudato sero-sanguinolenta com grânulos amarelados (secreção).

Conforme a conduta do Médico Veterinário e de acordo com a gravidade do quadro, o tratamento para a habronemose cutânea pode ser clínica ou cirúrgica.

A abordagem clínica consiste no tratamento tópico, com auxílio de pomadas antimicrobianas para evitar infecções bacterianas intercorrentes e o uso de anti-inflamatórios, com o propósito de melhorar a condição geral do paciente. Já a abordagem cirúrgica deve ser realizada nos casos mais graves, mediante criteriosa avaliação do Médico Veterinário. A literatura recomenda ampla margem e uso de bisturi elétrico para inativar as larvas que se localizam nos tecidos mais profundos da pele.

Para que o tratamento da habronemose cutânea tenha o efeito esperado, também é preciso realizar algumas medidas gerais de boas práticas aplicadas aos animais de fazenda, com destaque para a vermifugação estratégica dos cavalos e os curativos diários das feridas.

Neste contexto, recomenda-se a utilização do Pégasus Trio (Moxidectina + Praziquantel + Glutamina), da Noxon Saúde Animal, que é um potente antiparasitário de amplo espectro de ação eficaz contra estágios imaturos e adultos dos principais parasitos gastrointestinais dos equinos, agindo diretamente sobre os Grandes estrôngilos (em diferentes estágios – adultos, estágios arteriais e peritoneal); e  Pequenos estrôngilos (adultos e fases imaturas). O produto também é eficaz contra Oxyuris equi, Parascaris equorum, Trichostrongylus axei, Strongyloides westeri, Habronema muscae, Dictyocaulus arnfieldi e ectoparasitas (Amblyomma cajennense, Dermacentor (Anocentor nitens) de equinos.

Na formulação do Pégasus Trio também está presente um ativo inovador, a Glutamina, que é fonte direta de energia e nitrogênio para a mucosa intestinal. Dentre outras funções, este aminoácido torna-se capaz de interferir diretamente sobre o turnover dos enterócitos e, em última análise, sobre a ultraestrutura intestinal. Em resumo, a glutamina contribui na melhora da integridade do epitélio intestinal e equilíbrio do mesmo. Atua também na síntese de aminoácidos auxiliando na formação muscular e no restabelecimento do metabolismo dos animais.

A administração oral deve ser em dose única, respeitando a dosagem de 1,6 g para cada 100 kg de peso, obedecendo à graduação que consta no êmbolo da seringa (uma seringa completa é suficiente para tratar 600 kg de peso corporal). O intervalo para uma nova aplicação deverá seguir orientação e critério do Médico Veterinário.

A habronemose equina é responsável por grandes prejuízos financeiros no cenário da equideocultura, condição que é agravada em países de clima tropical, devido a menor rendimento nas atividades de esporte e tração, alteração morfológica e perfil estético. Algumas medidas gerais de manejo podem reduzir a casuística desta enfermidade como: limpeza e higienização das baias; cuidados gerais com ferimentos dos animais; impedimento de acesso de moscas em lesões com limpeza e desinfecção das feridas; remoção diária de dejetos para dificultar o acesso das moscas; vermifugação estratégica de todos os animais em intervalos regulares e assistência Veterinária permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *