TRISTEZA PARASITÁRIA BOVINA (TPB)

Tristezinha”, “Pindura”, “Piroplasmose” ou “Mal da ponta”

Dra. Daniela Miyasaka S. Cassol, M.V.
Gerente Técnica, PDI – Noxon Saúde Animal

A Tristeza Parasitária Bovina (TPB) é o nome comum das doenças causadas no Brasil pelos agentes Babesia bovis e Babesia bigemina (Babesiose), e Anaplasma marginale (Anaplasmose)É transmitida principalmente pelos carrapatos Rhipicephalus (Boophilus) microplus (carrapato-do-boi) e moscas hematófagas (Stomoxys calcitrans, tabanídeos e culicídeos). A anaplasmose bovina também pode ser transmitida mecanicamente através de agulhas hipodérmicas e instrumentos cirúrgicos infectados ou transfusões sanguíneas e transplantes de embrião. 

Clinicamente esta doença se manifesta por febre, anemia (mucosas ocular, oral e vaginal), icterícia, hemoglobinúria, prostração, desidratação, falta de apetite e emagrecimento; ainda podem ocorrer incoordenação motora, urina com coloração escura e morte.

A icterícia e anemia intensa geralmente estão associadas à anaplasmose e à hemoglobinúria com a babesiose. A Babesia bovis pode ocasionar sintomatologia nervosa e os bovinos afetados apresentam incoordenação dos membros posteriores e agressividade. Abortos podem ocorrer após a febre.

O período de incubação da babesiose varia de 7 a 14 dias, podendo ser mais curto ou mais longo dependendo da taxa de inoculação e da sensibilidade do animal, enquanto o da anaplasmose por Anaplasma marginale é de 21 a 35 dias.





O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (1983 e 1984) estimou em um bilhão de dólares anuais os prejuízos causados pelo carrapato-do-boi no Brasil, sendo 40% desse total relativos à diminuição da produção de leite. Foi constatada a presença deste parasito durante o ano todo em 66,04% dos 2.048 munícipios investigados. O potencial do impacto econômico causado pelo “carrapato-do-boi” foi estimado por GRISI et. al. (2014) em 3,24 bilhões de dólares ao ano.





Os animais jovens são severamente acometidos com mortalidade a quase 100% se a doença não for diagnosticada e os bezerros medicados a tempo. Os bovinos em idade adulta, criados em confinamento ou sem contato com carrapatos, também são susceptíveis.

Essa enfermidade causa grandes perdas econômicas na pecuária, principalmente em animais jovens devido à perda de peso, baixo desempenho produtivo e queda da imunidade.

O diagnóstico é feito por meio do exame clínico, mas para comprovar a suspeita é necessária a realização de exames laboratoriais que indiquem o agente e, com disso, seja preconizado o tratamento adequado. Recomenda-se a realização de esfregaços sanguíneos em lâminas (secas e desengorduradas) para microscopia a partir de punção de vasos da orelha ou na extremidade da cauda. Os esfregaços devem ser analisados do ponto de vista etiológico e a parasitemia (porcentagem das hemácias parasitadas) deve ser determinada. Os títulos de anticorpos no soro podem ser mensurados pelo método de imunofluorescência indireta.

O eritrograma é utilizado para avaliar o tipo e a severidade da anemia. O sangue deve ser colhido em frascos com anticoagulante (EDTA, heparina) e enviado ao laboratório em gelo em 24 horas. Caso ocorra a morte, lesões como carcaça anêmica e ictérica (amarelada), fígado e baço aumentados podem ser evidenciadas na necropsia. É interessante o envio das vísceras e do cérebro ao laboratório para o diagnóstico diferencial de raiva.

Para o tratamento da Babesiose, é preconizada a utilização do Diaceturato de Diminazeno e para a Anaplasmose, as Tetraciclinas. O tratamento de suporte deve ser realizado com hidratação correta, antitérmico, transfusão sanguínea, antitóxicos suplementação, alimentação adequada e correção da acidose. 

Em áreas de estabilidade endêmica, o controle é baseado na manutenção do equilíbrio endêmico. O carrapato é um parasito que causa grandes prejuízos à pecuária, mas seu controle deve ser feito de modo a permitir um certo nível de parasitismo que permita que todos os bezerros sejam inoculados com os agentes da TPB, antes do desaparecimento da imunidade passiva.

É muito importante implantar um “Programa de Controle Estratégico de Carrapatos” na propriedade. Para o tratamento dos animais doentes, recomenda-se a utilização de Oxitetraciclina1, Diaceturato de Diminazeno2, Antitóxico/Protetor Hepático3, Suplemento injetável4, antitérmicos e fluidoterapia. Programas de controle específicos e práticas de manejo adequadas devem ser instituídos para cada situação, sempre de acordo com a orientação do Médico Veterinário e bula dos produtos utilizados.

1Terramax 20LA, 2Piroseg, 3Detox e 4Catol+: Noxon Saúde Animal.

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